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A indústria de lácteos e o desafio de garantir o leite na mesa dos consumidores brasileiros em tempo de pandemia e novos hábitos

Na série “Conversando com o cliente”, conversamos com grandes indústrias de laticínios do Brasil para entender quais os principais desafios estão enfrentando em tempos de pandemia para garantir suas operações funcionando e o que esperam que mude após o covid-19.
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Na série “Conversando com o cliente”, conversamos com grandes indústrias de laticínios do Brasil para entender quais os principais desafios estão enfrentando em tempos de pandemia para garantir suas operações funcionando e o que esperam que mude após o covid-19.

Quando o mundo inteiro pareceu ter dado uma pausa, as indústrias de alimentos e bebidas, da noite para o dia, tiveram que se adaptar a uma nova realidade para continuar, sem parar, com a importante missão de garantir o alimento na mesa dos consumidores.  

Ao mesmo tempo que o inicio da flexibilização traz um fôlego a mais para a economia, pouco se sabe como o consumidor irá reagir a essa nova etapa. Em meio a muitas dúvidas, é certo que hoje vivemos um período de caos sem precedentes. A pandemia está causando diversos impactos em todos os segmentos da sociedade. São números, orientações e notícias que mudam diariamente, tornando cada vez mais complicado, tanto para empresas como para as pessoas, saber com assertividade qual caminho seguir. Por outro lado, a polarização e as mudanças, de hábitos de consumo abrem espaço para novas oportunidades.

Soma-se a esse cenário, o fato de que a matriz de consumo também se transformou. O comportamento do consumidor nunca mudou tanto e tão rápido. A cada semana, desde que começou o isolamento, observam-se movimentações diferentes. Isso indica que ainda há muitas incertezas de como será o tão falado “novo normal”.

A soma de alguns aprendizados importantes adquiridos nos últimos meses mostram que para estarmos preparados para o novo normal, temos que estar atentos à transformação digital (que em 3 meses avançou mais do que nos últimos 5 anos) e aos novos hábitos de consumo, levando-se em conta que conveniência (seja no ambiente físico ou virtual) é a palavra de ordem e o consumidor o centro de tudo. O olhar para o outro cada vez mais será valorizado, o que significa que empresas comprometidas em ajudar de alguma forma a melhorar o cenário que estamos vivendo, sairão mais fortes quando tudo isso acabar.

Dentro desse contexto, quando olhamos para as indústrias de alimentos e bebidas, elas são mais essenciais do que nunca. Quando colocamos uma lupa e focamos o segmento de lácteos, especificamente o leite UHT, essa importância cresce ainda mais. Diversas foram as medidas adotadas pela indústria. Implantação de protocolos de segurança e higienização, adiantamento de férias para colaboradores que pertencem ao grupo de risco ou afastamento de quem estava com sintomas suspeitos, rodízio de pessoas dentro das escalas das fábricas, restrições e regras nos refeitórios e nas áreas de descanso, home office, proibição de entrada de terceiros, cancelamento de todas as viagens até segunda ordem, entre outras tantas.

É difícil imaginar ao certo como será o mundo após a pandemia. Teorias mostram que usarmos o caos a nosso favor para nos tornarmos ainda mais fortes e melhores pode ser uma boa estratégia, ainda mais em um momento que se faz necessário repensarmos caminhos, posicionamento e planejamento.

Para iniciar nossa série, conversamos com Roberto Adabo, Diretor Presidente da Shefa.

 “É um momento de respeito, serenidade e união”

“Embora nossos dias estejam mais difíceis, desde o início de março, não demos trégua nem por um minuto, seja no cuidado com os colaboradores, na produção, na logística, na entrega e no olhar para a comunidade”, afirma Roberto Adabo, diretor presidente da Shefa. Com a missão de produzir alimentos seguros e saudáveis aos consumidores, atendendo aos mais elevados padrões de qualidade, a Shefa não tem medido esforços em todos os sentidos. “No que depender de nós, estaremos aqui firmes e fortes no nosso propósito, garantindo os empregos de nossos colaboradores, sem deixar de zelar pela proteção e saúde de todos”, completa.

Na opinião de Roberto, o Brasil está enfrentando momentos complicados que irão marcar para sempre a história da sociedade. “Buscamos colaborar com o que temos de melhor: o nosso leite. Realizamos uma série de doações para instituições, além de entregarmos produtos para o Lar dos Velhos de Amparo e para o Lar dos Velhinhos em Campinas. Além disso, realizamos ações com instituições voltadas a crianças, como a AMIC em Campinas e o Educandário em Amparo”, conta o presidente. A ideia é que a Shefa mantenha essas doações durante os próximos meses. “O momento é difícil e o leite é um produto de necessidade básica e fundamental para a saúde,  principalmente em uma crise como essa. Continuaremos fazendo a nossa parte com a comunidade”, complementa.

Como todas as outras indústrias de leite UHT, a Shefa também sentiu o aumento de vendas no início da pandemia, quando o consumidor estocou principalmente alimentos com prazos de validade mais longos. “Notamos um aumento na frequência de compras no varejo, além de uma mudança de hábitos de consumo. Mas a tendência é que o cenário se normalize com o volume de compras voltando aos mesmos patamares que existiam antes dessa crise”, analisa Roberto.

Segundo o presidente da Shefa, o leite in natura vinha sofrendo um aumento por parte dos produtores. “Atualmente nossa relação é de parceria. Buscamos a colaboração mútua sempre. O produtor entende que a melhor maneira da indústria o ajudar, é permanecer em pé até o final da crise. O produtor está entendendo a situação e fazendo sua parte e sua lição de casa para não sofrer no futuro”, explica. Isso porque em um primeiro momento, uma grande parte do leite foi direcionado para a produção de produtos com maior shelf life, mas ainda assim existe uma necessidade de equilibrar o volume de compras da indústria versos as vendas ao mercado.

A busca por maior saudabilidade é outra mudança que pode ser observada entre os consumidores. “Os hábitos de alimentação do brasileiro estão mudando em direção a produtos que entregam densidade nutricional, saúde e bem-estar. A Shefa tem um posicionamento mais premium que a média do mercado e acreditamos na tendência do crescimento de produtos de maior valor agregado, com benefícios adicionais. Mas não podemos perder de vista que esses segmentos ainda são nichos, e que o grande volume do nosso mercado que é LEITE UHT é altamente elástico a preço”, complementa Roberto.

Sobre a polarização do consumidor, na opinião do presidente da Shefa, existe espaço no mercado para marcas premium e low price, porém é necessário avaliar com cuidado a questão do preço, pois o segmento é caracterizado por ser uma atividade de baixa rentabilidade.

Segundo Roberto, outro ponto de atenção do chamado “novo normal” é a forma com que as marcas irão se comunicar com o consumidor. De acordo com ele, a força das redes digitais nunca foi tão importante como atualmente. “O foco da nossa estratégia de comunicação é justamente a presença digital. E, nesse difícil momento, aproveitamos para compartilhar informações que possam ajudar o dia a dia dos nossos consumidores, com pautas relacionadas ao momento de isolamento, receitas para se fazer em casa, atividades físicas, enfim, continuamos fortalecendo o vínculo com os consumidores”, conta.

Nesse momento, onde o ideal é ficar em casa, a Shefa busca incentivar a compra on-line através de nossas campanhas de comunicação.  “Além disso, temos projetos de venda on-line direta ao consumidor, porém, vemos o custo do frete como um desafio, pois afeta o desembolso para o consumidor final, o que ainda é uma barreira atualmente. Para o futuro vemos que essa equação precisará fechar e a operação inteira deverá se adequar, para que o consumidor receba produtos da indústria diretamente em suas casas, de forma simples e viável. A indústria terá que se adequar a esse novo comportamento de compra e de consumo”, analisa Roberto.

Roberto finaliza dizendo que esse é um momento de respeito, serenidade e união. “É importante esse despertar para o interesse coletivo. A pandemia está ensinando a sociedade a se comportar de forma diferente. Os interesses individuais são insustentáveis.  No mundo dos negócios, o lucro é muito importante, mas para fortalecer toda a cadeia, não podemos perder de vista o principal fator: o ser humano. Estamos comprometidos em nossa missão de fornecer alimentos seguros à sociedade e atuando de forma efetiva, com todo nosso empenho, para que não falte leite nos lares de nossos consumidores nesse momento tão desafiador. Vamos ter paciência, essa crise vai passar. Se estivermos unidos, todos iremos nos recuperar mais rapidamente”.

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    Data de postagem
    • julho 02, 2020