Como a pandemia vai mudar o setor alímenticio e o que é preciso fazer para se adaptar a isso?

Os impactos da pandemia no setor alimentício são significativos. Consumidores têm tido novas necessidades e preferências, e é preciso ficar por dentro delas para continuar sendo relevante no mercado!
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Afirmar que estamos vivendo o novo normal não é exagero. O surto causado pelo coronavírus não apenas nos forçou a diminuir o contato social, como mudou parte do comportamento do consumidor. Assim, relacionar a pandemia e o setor de alimentos faz todo o sentido para empresas que desejam estar preparadas para as transformações do mercado.

Algumas evidências desse impacto foram apresentadas em uma série de pesquisas realizadas pela OpinionBox. A 16ª [MT1] edição, por exemplo, concluiu que as pessoas estão mais preocupadas com a alimentação saudável, o que fez crescer a busca por alimentos desse tipo.

A 3ª edição, por sua vez, trouxe como uma das perspectivas o fato de que o consumidor pós-pandemia tem maior preocupação com a higiene e segurança dos alimentos e, portanto, tem preferência por adquiri-los de produtores locais.

Para abordar esse tema tão relevante, conversamos com Tatiana Miwa, a Gerente de Inteligência de Mercado da SIG Combibloc. Confira as informações a seguir!

De que maneira a pandemia afetou o mercado e os consumidores?

Com o isolamento social as compras online começaram a entrar na rotina até de quem não tinha esse costume. Para atender a esta nova dinâmica de compra, as empresas de todos os ramos passaram a investir mais no digital. Negócios que, até então, só atendiam presencialmente, precisaram se adaptar. 

Com mais empreendedores no canal online, aumentou-se a concorrência. Isso tem evidenciado a necessidade de se diferenciar no mercado, assim como de oferecer as melhores experiências de compra.

uma pesquisa realizada pela Nielsen, identificou a sequência de etapas-chave do comportamento do consumidor em momentos de pandemia, sendo as principais mencionadas abaixo:

  1. compras proativas para a saúde: aumenta-se o interesse por produtos que contribuem para a saúde e o bem-estar;
  2. preparação da despensa: armazenamento de alimentos, para garantir o estoque e evitar contato social;
  3. preparação e adaptação da rotina em distanciamento social: aumento das compras online;
  4. adaptação ao novo: algumas atividades voltam ao normal, mas a preocupação com a saúde prevalece.
Qual é a influência da pandemia no setor alimentício?

“A pandemia aumentou o tempo que passamos dentro de casa e que convivemos com os membros da família. Logo, isso tem refletido diretamente no consumo, de uma forma geral, sobretudo no ramo de alimentos. Grande parte dos consumidores passaram a cozinhar mais em casa e, muitos deles tem vivenciado experiências prazerosas na culinária, considerando-as como um momento de lazer, o que aumenta o foco às diferentes categorias de alimentos”, reflete Tatiana. 

"Ao mesmo tempo, os pedidos de comida por delivery também cresceram. Até quem não acessava aplicativos, passou a fazê-lo”, continua. Isso prova que o consumidor preza também por comodidade e praticidade no seu dia-a-dia.

Ainda com relação às pesquisas da OpinionBox, a 5ª edição da série nos trouxe a seguinte informação: 49% das pessoas afirmaram estar gastando mais com comida. Somado a isso, 26% têm dado preferência a comprar, no mercado, mais itens por vez, para tentar diminuir as saídas de casa.

“O momento gerou preocupação com a saúde e impactou o segmento de alimentos saudáveis, como é o caso dos lácteos. Além disso, o leite e muitos de seus derivados são considerados itens básicos na cesta do consumidor; então, a procura por algumas destas categorias cresceu de forma ainda mais expressiva, sem precedentes no Brasil”, relata Tatiana. 

O interesse por saúde é tão grande neste momento, que, pensar em inovação no setor alimentício e investir em formulações ou atributos de produtos que vão ao encontro desta tendência, podem ser a chave para o sucesso no curto prazo: “Fizemos uma pesquisa para entender melhor esses anseios do consumidor de leite UHT. Muitos afirmam ter interesse por leite com adição de vitaminas e minerais, que possa contribuir para aumentar a resistência e a imunidade”, afirma nossa Gerente de Inteligência de Mercado.

No entanto, nem só de alimentos saudáveis têm vivido as pessoas. O leite condensado e o creme de leite também têm sido muito procurados. É aquilo que você, provavelmente, já sabia: os doces costumam protagonizar momentos de felicidade e satisfação.

Como se adaptar à nova realidade?

Adequar-se à atual situação e às exigências dos consumidores é importante para se manter relevante no mercado. Por isso, algumas inovações são necessárias. Confira nossas dicas!

Distribua informações relevantes aos consumidores

De acordo com Tatiana, muitas vezes, os consumidores não têm as informações adequadas para tomar a melhor decisão sobre o seu consumo.

“Fizemos na pandemia, uma pesquisa com consumidores da categoria de leite UHT, comumente chamado de “leite de caixinha”. O UHT (“ultra high temperature”) é um processo de esterilização, que reduz a carga microbiana do produto, sem a necessidade de adicionar conservantes. Percebemos que muitas pessoas desconhecem o processo e sua importância: o processo e a embalagem asséptica (cartonado) garantem um alimento seguro e possibilitam que o produto seja distribuído em temperatura ambiente, a longas distâncias em todo o Brasil”.

“Acredito que seja um papel nosso, como fornecedores e indústrias, comunicar informações sobre o processo produtivo. Usar a transparência gera pontos a nosso favor e conquista mais clientes. Muitas vezes, é a falta de informação que cria polêmica e receio no consumo”, considera Tatiana.

Desta forma, vale a pena criar materiais e conteúdos informativos relacionados ao tema. Outra sugestão para essa estratégia, é contar aos consumidores sobre os investimentos do negócio em inovações e processos tecnológicos que garantem a qualidade e segurança do produto.

Invista em tecnologias

Nossa Gerente de Inteligência de Mercado também acredita que a tecnologia seja essencial para o setor alimentício, especialmente durante e após a pandemia, pois abre muitos caminhos a nosso favor.

Associando-se o QR Code a uma determinada tecnologia, por exemplo, pode-se garantir a rastreabilidade e o fornecimento de informações completas sobre o produto. “O consumidor consegue enxergar o caminho percorrido da matéria prima, com acesso às informações de coleta na fazenda, até o momento que o produto passa pela indústria até o ponto de venda final. Desta forma, o consumidor consegue visualizar com transparência os controles e os padrões de qualidade do produto que se está consumindo, e, por sua vez, pode adquirir maior confiança na marca”.

Esse quesito, inclusive, supre a necessidade daquele consumidor que afirma dar preferência aos produtores locais, devido ao fato de, assim, ter mais clareza sobre a procedência do produto. 

Reduza custos para o consumidor

Para Tatiana, também vale investir na flexibilidade e apostar em uma relação de custo-benefício. 

“Muitas pessoas diminuíram o poder de consumo; então, elas buscam algo que tenha valor, a um preço justo e que caiba no seu bolso. Contar com uma linha de produtos mais flexíveis, que, por exemplo, tenha a opção de porções reduzidas, pode fazer sentido para muitos consumidores e manter a fidelidade de consumo da marca”.

Linhas flexíveis com setup rápido também estão associados à maior eficiência da produção, com fábricas mais inteligentes, que investem no monitoramento e na automação. Ao economizar em processos, também é possível diminuir esse custo ao consumidor final.

Na relação entre pandemia e o setor alimentício, diversos impactos já são percebidos. O consumidor tem mudado suas necessidades e dado preferência a fornecedores e empresas capazes de amenizar toda a insegurança e de manter processos mais seguros e transparentes. Quem deseja sobreviver nos próximos anos não pode negligenciar esses aspectos.

Gostou do texto? Confira, então, quais as tendências de consumo do brasileiro!

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Data de postagem
  • novembro 05, 2020