Conversamos com mais uma indústria mineira em nossa série, “Conversando com Clientes”. O diretor da indústria Godam, Guglielmo da Matta nos mostra o seu ponto de vista frente ao novo consumidor.
“Tivemos todos que nos reinventar da noite para o dia”, afirma Guglielmo da Matta, um dos diretores da Godam, localizada em Muriaé, na bacia leiteira da zona da mata mineira. Presente em mais de 2 mil pontos de vendas espalhados entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo por meio do seu portfólio composto de leites UHT, queijos e manteigas, a empresa sofreu impacto principalmente na linha de perecíveis. “Os produtos que o consumidor não pode estocar, estão sendo prejudicados de forma geral, independente da marca. Devido ao momento atual, a frequência ao supermercado diminuiu, o que faz com que o varejo compre da indústria somente itens de giro rápido”, explica.
Segundo a análise de Guglielmo, o varejo está vendendo muitos itens de primeira necessidade. Já os de outros segmentos, estoques que eram para durar 15 dias, poderão demorar até seis meses para sair da loja. “E aqui temos um ponto de atenção, pois isso pode acarretar em um aumento de margem nos os itens básicos para suprir essa perda”, alerta. “Percebemos também um reposicionamento de mix. Alguns pontos de venda estão optando por um preço melhor de marcas menores ao invés de sustentar uma grande marca na gôndola”, observa o diretor.
Em relação ao leite UHT, de acordo com Guglielmo, houve um boom inicial, quando o consumidor, com medo do que viria pela frente, estocou produtos em casa. “Porém, depois da primeira quinzena do isolamento, quando o consumidor entendeu que não havia necessidade de estocagem, as vendas caíram, mas ainda permaneceram em patamares melhores do que antes da crise”, analisa.
“O leite UHT é a moeda mais rápida que chega no consumidor. No entanto a sua cadeia de produção é feita de muitos elos e temos que olhar e cuidar de todos eles, desde o produtor até o consumidor final”, diz Guglielmo.
“Alguns laticínios tiveram que dispensar leite e o produtor ficou assustado. Ainda assim, a negociação com ele não é fácil. Nunca foi. É uma conversa que acontece mês a mês. Eu acredito que alguns deles já esperam uma baixa, mas não estão reativos ou ameaçando a mudar de cliente, por exemplo”, complementa.
Na opinião de Guglielmo, o “novo normal” virá com uma mudança drástica no comportamento dos brasileiros. “O consumidor será outro após a pandemia. Temos o desafio de reaprendermos a falar com ele. Necessitaremos estar em outros canais, teremos que fazer mais uso da tecnologia e acelerarmos a nossa transformação digital”.
Sobre o movimento de polarização dos consumidores, o diretor da Godam diz que já vinha acontecendo gradualmente. “Claro que quem tem poder aquisitivo maior, busca mais variedades e saudabilidade. Mas as classes C e D, que são as predominantes no Brasil, ainda brigam pelo básico, para comer o essencial”, pondera Guglielmo.
Na visão do diretor, algumas oportunidades irão se abrir para as marcas que entenderem que haverá uma redução de poder aquisitivo do consumidor nos próximos meses. “Ainda existe muito desperdício de alimentos por conta do consumidor, pois ele está aprendendo a ficar mais em casa e a lidar com esse cenário. Em breve, isso também vai mudar. E a pergunta será: qual o volume ideal que devo comprar de cada produto? A redução ou aumento do volume está realmente me trazendo algum custo-benefício? Cabe a nós da indústria estudarmos, entendermos e nos adequarmos para essa nova realidade”, completa Guglielmo.
“O momento é de desafios e muitos entendimentos. Mas garantimos que a Godam irá continuar a entregar seus produtos com qualidade e quantidade de sempre. Não faltará nada nas gôndolas ou na mesa do consumidor. É uma garantia nossa, dos nossos colaboradores e também dos produtores’, finaliza.
Quer conhecer o que pensa os diretores e presidentes das indústrias de laticínios? Leia os conteúdos da série “Conversando com clientes”
- julho 10, 2020